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Série Mulheres da Bíblia: a mulher adúltera

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Ela foi pega em uma situação que a fazia ser julgada e condenada por apedrejamento. Provavelmente estava despida quando foi arrancada de dentro de casa e levada até Jesus. Aquela mulher tão vulnerável chorava copiosamente, tomada pela vergonha e humilhação. Quem a via sendo levada pelas ruas poderia pensar que havia cometido um grande crime. E cometeu. Ela não matou ninguém, mas o crime que cometera poderia fazê-la morrer. Ela foi pega em flagrante adultério. 

Você pode imaginar isso?

Quando uma pessoa é pega em flagrante, significa que ela foi flagrada cometendo aquele ato, seja de roubo, seja de homicídio, seja de outro crime. Mas, no caso daquela mulher, ela foi pega em pleno ato sexual com um homem. Talvez ele fosse casado, ou talvez ela fosse; a Bíblia não especifica, só diz que ela era adúltera.

A pena para esse tipo de crime era o apedrejamento, e ambos, homem e mulher, deveriam morrer dessa forma, mas, naquele dia, apenas ela foi levada. Aquela mulher foi jogada aos pés de Jesus tremendo e temendo morrer. Ela podia ver as pedras, de vários tamanhos, nas mãos dos acusadores. Eles gritavam, a xingavam e pediam por sua morte. Até que um deles perguntou a Jesus:

– Mestre, a Lei diz que a pessoa pega em adultério deve ser apedrejada. E Tu, o que dizes?

Jesus, naquele instante, não disse nada. Ao contrário, Se abaixou e começou a escrever na areia. O que Ele escrevia? Ninguém sabe. Aguardou mais uns minutos até que ordenou:

– Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra.

A mulher, calada, mas desesperada em seu íntimo, fechava os olhos aflita como se estivesse esperando a primeira pedrada. Ela já podia sentir a dor do ferimento em sua testa e o sangue escorrendo em seu rosto. Ela sabia que o seu crime era passível de morte e por isso era difícil manter a esperança.

Mas aqueles homens, um a um, a começar dos mais velhos até os mais novos, abandoaram suas pedras e acusações e foram embora. Quando a mulher olhou ao redor, não viu ninguém a não ser Jesus.

– Onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou? – Ele perguntou.

– Não, Senhor, ninguém. – Ela respondeu aliviada.

– Tampouco Eu te condeno. Vai e não peques mais.

As palavras de Jesus soaram como um bálsamo. Ela esperava pedradas e recebeu alento. Esperava palavras condenatórias e recebeu justificação. Esperava condenação e recebeu absolvição. Esperava a morte e recebeu nova vida.

A Bíblia mostra claramente como Jesus respeitava as mulheres. Ele jamais lançou qualquer palavra de acusação ou que as fizesse se sentir diminuídas, humilhadas ou com a autoestima baixa. Pelo contrário, Ele as erguia com o Seu perdão, devolvia a dignidade perdida e dava a elas oportunidade para refazer a vida.

Foi o que Ele fez com a mulher adúltera. Quando a perdoou, Ele não deu a ela uma lista de regras comportamentais; não a toliu e nem a limitou, mas disse apenas que ela fosse para a sua casa e deixasse o pecado. Isto é, Ele a deixou por conta de sua própria consciência.

A Bíblia não fala o que aconteceu com essa mulher depois, mas, certamente, ela passou a viver de forma diferente, se respeitando, se valorizando e afastando-se daqueles que só queriam se aproveitar dela e de seu corpo.

Aquela mulher retrata muitas de nós hoje, mulheres tão cheias de traumas e medos, que não se perdoam por seus pecados e falhas, e que, em vez de viverem sua nova vida em Cristo, olham para trás e se prendem à velha vida de erros. No entanto, não temos motivos para vivermos assim. Não precisamos mais nos acusar se Jesus já nos perdoou. Não precisamos mais nos limitar, se Ele nos dá todas as condições que necessitamos. Não precisamos mais nos prender ao que passou e nos martirizar, se Ele já nos ofereceu e nos dá uma nova vida e uma nova oportunidade para escrevermos uma nova história!

A mulher adúltera nos traz como exemplo que tudo o que passou pode ficar para sempre no passado, e podemos recuperar tudo o que perdemos, inclusive o tempo, com atitudes que promovam a nossa felicidade e valor. Há muitas mulheres que se culpam por causa de relacionamentos errados, atitudes, palavras e comportamento, mas tudo isso pode fazer parte do passado se tão somente olharem para frente e focarem na nova mulher que desejam se tornar. Essa transformação não acontecerá da noite para o dia, mas a cada dia poderá ser vista. Com paciência, persistência, vontade e determinação, a mudança será possível e dentro de pouco tempo essa nova mulher poderá recontar a sua história. 

Jaqueline Corrêa