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A famosa carteirada

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Quem já não ouviu a famosa frase “Você sabe com quem está falando?”.

Esta conduta tem sido uma prática tão comum que se tornou culturalmente aceita, apesar de ser detestável.

Autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e funcionário públicos, bem como seus familiares, vizinhos e amigos acham-se no direito de se beneficiarem do seu cargo com exigências nada convencionais, ao ponto de descumprirem o que a própria lei determina.

Assim, as pessoas que deveriam ser exemplos de integridade para a sociedade, abusam da sua autoridade e se permitem dirigir embriagados, com a velocidade acima da permitida, estacionam em locais proibidos, furam filas, sonegam impostos, entre outras situações, tudo conforme mostram os noticiários. Enfim, elas agem como se fossem superiores às demais e estivessem acima do bem e do mal.

O interessante é que o Código Penal, diz que é crime exigir vantagem indevida, para si ou para outro, direta ou indiretamente, utilizando-se do cargo. Mas, por mais que esta prática seja corriqueira em nosso país, não temos notícias de prisões. E, como sempre, a impunidade torna-se a progenitora dos comportamentos criminosos. Embora recriminada, essa conduta feia e desrespeitosa também é vista no meio cristão, principalmente naqueles que possuem um ego avantajado.

Pessoas que se acham mais conhecedoras, mais merecedoras, que tem alguma amizade “importante” e por isso, se julgam melhores… “sou líder disso, daquilo”, “sabia que agora você tem que me tratar com mais respeito?”. Enfim, os motivos para esta presunção se alternam, e ego é uma coisa séria…

Quem verdadeiramente é de Deus não prevalece por causa de título, posição, aparência ou contatos influentes. Essas pessoas recebem autoridade e as responsabilidades que vêm com ela, mas elas mantêm a consciência que chegará o dia da “prestação de contas” com o seu Senhor, por isso elas passam os seus dias com temor e tremor.

Elas não maltratam ninguém, não se acham superiores ou conhecedoras, mesmo sendo. Não se sentem bem ao receber elogios ou aplausos, pois elas sabem que toda a Glória é de Deus e deve voltar para Ele. Não exigem respeito, mas a conduta reta que apresentam impõe respeito. Elas não exigem a verdade, mas sua vida é a Verdade para que todos vejam.

Quantos exemplos assim temos na Bíblia… Neemias era copeiro do rei Artaxerxes e depois se transformou governador em Jerusalém. As Escrituras dizem claramente que ele não usava nem mesmo aquilo que era direito do seu cargo. Os governadores anteriores serviam a si mesmos e ainda exploravam o povo, mas ele fez da integridade a marca do seu governo.

Também é possível aprender um pouco na carta de Tiago, na sua apresentação: “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo…”. Sabe quem ele era? Irmão do Senhor Jesus, um homem com posição de autoridade na Igreja Primitiva, conhecida como um dos pilares de Jerusalém.

Outra situação que ensina acerca do que abordamos é a carta de Paulo a Filemom, onde o apóstolo lhe faz humildemente um pedido. Talvez você esteja pensando “Como assim? Paulo, o apóstolo, e Filemom, um membro da igreja em Colossos?”. Hierarquicamente parece uma questão muito simples de entender já que Paulo seria o que manda e Filemom o que obedece. Porém, o líder cristão desejava ser atendido pelo destinatário da carta por sua confiança e lealdade à fé que este último professava, sem impor coercitivamente a sua autoridade. Isto fica claro em alguns trechos da epístola: “Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus…” (Fl 1.1) e “…ainda que eu sinta plena liberdade em Cristo para te ordenar o que convém, prefiro, todavia, solicitar…” (v.8-9).

Temos exemplos suficientes do comportamento esperado de uma nova criatura e finalizo com o maior de todos, pois até o Altíssimo não impõe a Sua Vontade, e nem mesmo o Senhor Jesus obriga alguém a entregar a sua vida para Ele, em contrapartida são tantas pessoas que cobram dEle o que não plantaram…

Enfim, às portas do Reino dos Céus também não haverá “carteirada”, mas alcançarão o direito de entrar por elas somente os que com fé e humildade exerceram sua identidade cristã.